A máxima de Muricy Ramalho vai virar regra no Flamengo antes do previsto. A bola se prepara para punir o elo mais frágil de uma estrutura que só demonstrou fracassos na gestão do futebol nos últimos anos. Rodrigo Caetano, diretor de futebol remunerado, está com a cabeça a prêmio.
Embora obedeça decisões de dirigentes amadores, o executivo não deve resistir a mais um vexame do time em 2016. A demissão foi colocada em discussão, ontem, pela cúpula do clube e só não se confirmará se o técnico Muricy Ramalho voltar a tempo de dar um jeito na equipe.
Abatido e evidentemente constrangido, Caetano tentou explicar o péssimo momento. E mais: passou a bola para cartolas e jogadores.
— Eu faço o meu trabalho, mas todas as decisões são compartilhadas. Limitam a mim como quem contrata e demite. A função vai mais do que isso. E a de contratar é a que menos depende do executivo. Ninguém contrata sem o crivo do financeiro aqui. Tenho que sugerir os melhores nomes — eximiu-se Caetano.
Depois da eliminação na Copa do Brasil para o Fortaleza, o elenco se representou no Ninho do Urubu, onde o executivo recebeu o presidente, Eduardo Bandeira de Mello, e o diretor-geral, Fred Luz. Após longa reunião em que Caetano soube que continuaria no cargo — pelo menos por enquanto —, Bandeira deixou o CT sem dar qualquer explicação.
Luz, por sua vez, acompanhou o diretor executivo na sala de entrevistas, mas ficou atrás da parede do contêiner. O vice de futebol Flávio Godinho sequer apareceu no Centro de Treinamento.
Questionado se dirigentes eleitos não deveriam sentar naquela cadeira para dar satisfações, Caetano se esquivou. Mas deu o recado ao analisar o modelo de gestão do futebol rubro-negro.
— Não vou legislar em causa própria. Mas vários atletas de bom nível não conseguiram render aqui o que era esperado, técnicos de ponta da mesma forma. Mas não credito isso a um modelo específico. Temos que identificar o motivo, claro — afirmou Caetano, obrigado a se expôr no lugar dos dirigentes que discutiram a sua demissão.
Elenco caro é criticado, e pode mudar
Antes exaltado, o elenco do Flamengo foi finalmente questionado pelo diretor de futebol Rodrigo Caetano. A lentidão na contratação de reforços para a defesa e o alto investimento em peças como o goleiro Muralha — reserva em meio a críticas sobre Paulo Victor — ajudam a explicar o fracasso atual.
Mais uma vez, a missão de Caetano foi repassar a culpa. Segundo ele, todo o planejamento de reforços foi feito com a questão financeira em primeiro plano. Assim, os dirigentes Fred Luz, diretor-geral, e Paulo Dutra, diretor financeiro, deram a palavra final — em detrimento do executivo, que negociava após liberação do financeiro.
— No entendimento da comissão e dos dirigentes, temos um elenco equilibrado que não se traduz em resultados. Mas até que ponto temos esse elenco equilibrado mesmo? Já passou da hora desse elenco fazer valer o investimento feito. Jogadores, que por onde passaram tiveram sucesso, aqui não tiveram.
Fonte: Extra
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